sexta-feira, 29 de outubro de 2010

A Reta Final

Parece que agora que chegamos ao final, as coisas ficam extremamente confusas, ficamos com medo só de pensar em como nossa vida vai ser no próximo ano. Já parou para imaginar que ficamos uma vida inteira, uns 15 anos ou mais, vivendo a mesma rotina do colégio desde sempre e aí, meio que de uma hora para outra, em apenas um ano TUDO isso muda?

Não é algo realmente reconfortante. Na verdade, às vezes a realidade não é mesmo muito boazinha com a gente. Mas tudo isso faz parte de uma coisa chamada vida. E, para vivermos, precisamos de um projeto de vida, algo que nos motive a caminhar em direção ao nosso futuro profissional.
Já faz mais ou menos um mês que estamos trabalhando com um projeto de vida no colégio, algo extremamente intimo, e voltado apenas para nós mesmos, para que assim, possamos entender um pouco de quem somos. Nesse projeto vida, apenas respondendo as perguntas do questionário feito pela professora, tive a chance de me lembrar de momentos da minha infância, momentos que estavam guardados bem lá no fundo da ultima gaveta do meu subconsciente. Revivi meus sonhos de criança, vi como as coisas mudaram e como meus pensamentos de 17 anos pra cá estão diferentes. Apenas uma coisa pareceu ter continuado firme na minha mente, desde pequena eu sempre me imaginava de branco, oferecendo meus cuidados a outro ser vivo, seja humano ou animal.
Foi pensando nisso que percebi como seria bom trabalhar prestando uma ajuda aos outros, por muito tempo, quis fazer medicina veterinária, ah como eu queria ficar perto dos animais, sempre fui fissurada por eles, achava que me sentiria realizada desse modo. Mas ai comecei a pensar um pouco, eu também iria vê-los sofrer, durante meu curso, não poderia vacilar ao ter que sacrificar alguma alma inocente. Aí eu já não queria mais fazer isso. Pensei em Medicina, mas não sou o tipo de garota que se dedica há muitas horas de estudo...

No final do ano passado comecei a cogitar cursar enfermagem, querendo ou não, eu teria um grande contado com as pessoas. Por fim, conclui que isso era o que eu queria, quando meu primo me convidou a passar uma tarde no hospital com ele, pra ver o que um enfermeiro padrão fazia, eu meio que já sabia o que queria, e amei conhecer tudo.

Meus pais não ficam extremamente felizes com essa escolha profissional, apesar de alguns enfermeiros padrões ganharem o equivalente ao que um médico ganha, eles dizem que não conseguem me ver trabalhando em um local cercado de doentes. Mas acho que desde pequena não fui o tipo de garota que é influenciada facilmente.

Não vou mentir e falar que os projetos da escola não me ajudaram na minha escolha, por que ajudaram, foi no meio do ano mais ou menos, quando uma irmã (tia de uma das nossas colegas) veio para contar sua experiência de vida, que eu finalmente concretizei minha decisão. Ainda me lembro dela dizer que, se temos uma vontade, uma vontade que vem lá do nosso interior, é para simplesmente realizarmos essa. E bem, eu realmente sentia uma vontade súbita, que vinha lá do fundo, de fazer enfermagem.

No dia 24 de outubro, foi o vestibular da Universidade Católica (a PUC, na maioria dos estados). Achei que não custava fazer, só por experiência mesmo, já que no meio do ano eu não tive coragem de ir e por que já estava meio na hora de eu começar a correr atrás do meu próprio futuro.

O tema da minha redação era algo relacionado à como o trabalho, de certo modo, pode significar a nossa própria vida. Não era muita novidade pra mim, profissão é algo que a gente vê muito no Terceiro ano. Lembrei do nosso projeto de vida iniciado, de como várias pessoas falaram que o importante é fazer o que nós gostamos.

Certamente, uma dissertação argumentativa é composta por introdução, desenvolvimento e conclusão. E a conclusão da minha redação foi de certa forma, a conclusão do que tirei de conversas com a minha família, amigos e professores. Se trouxermos nossa vocação para a nossa profissão, indiretamente, o trabalho poderá significar a nossa própria vida trazendo até o nosso sucesso profissional.

Quando sai da prova ainda tinha achado que minha redação tinha ficado meio confusa, estava mesmo esperando ser eliminada por causa disso.

Bem, o alívio não veio depois que sai da sala, fiquei esperando meus pais na porta do prédio do campus, olhando aquele tanto de gente, a maioria com um sorriso na cara falando que foi tudo bem. DEUS! Fiquei com medo.

Eu só queria chegar em casa pra me trancar no meu mundinho. Aí, na hora do almoço, o assunto surgiu: E se por acaso eu passasse? Como seria?

A Católica fica há uns 40 km da minha casa, e bem, é meio complicado. A opção dos meus pais era que eu passasse o primeiro semestre indo e vindo todo dia, e depois, arrumaríamos um apartamento pra mim por lá. Juro que aquilo me assustou, eu ainda nem completei meus 18 anos!
Essa, nem de longe, foi uma semana fácil, eu ainda preciso de nota em algumas matérias, a única coisa que tinha que pensar era simplesmente em mim e nos meus estudos, foi fácil pensar isso no começo, mas depois vi como é difícil. Parece que tudo acontece na nossa semana de provas, não é mesmo? Perdi a conta de quantas vezes chorei, apenas por me sentir pressionada, meus pais não ficam extremamente felizes com minha escolha, mas aceitam ela, eu realmente não queria ter de morar sozinha.

Na quarta à noite, depois de começar a me assustar comigo mesma chorando por qualquer coisa, comentei com uma amiga sobre como essa pressão de final de ano estava me deixando louca, eu já não sabia mais que válvula de escape encontrar. Depois de sair do computador por causa de uma dor de cabeça chata fui tentar descansar um pouco.

Aí uma amiga minha me liga, me dá os parabéns por que ela tinha acabado de ver meu nome da lista de aprovados em enfermagem da Universidade Católica de Brasília.

Descobrir que passei foi o que eu precisava para eu me animar, pouco me importa de a Católica não ser uma faculdade federal, em termos de ensino, ela é uma das melhores da cidade, principalmente no curso de saúde. O importante foi descobrir que, até eu, que sempre achou que demoraria pelo menos uns seis meses pra passar em uma faculdade, passou de primeira. Acredito que também tive sorte, mas isso só aumentou a minha confiança.

Ainda não sei como vai ser. Não estou pronta pra sair de casa ainda, não tenho toda essa maturidade. Acredito que com o tempo as coisas vão se resolver.

A conclusão que tirei disso tudo, é que temos que seguir nossa própria escolha, ouvir a opinião dos outros é bom, nos traz novos pensamentos, mas temos que lembrar que somos nós que vamos ser os profissionais, não os outros. Independente da sua escolha, vale lembrar que ela tem que ser sua, arrependimento não existe, apenas portas para a felicidade que têm um caminho mais longo que as outras.

Sinceramente, a sensação de tirar um peso das costas, de ver que você tem a capacidade de ser o que quiser, é algo extremamente satisfatório e isso, ninguém pode escolher por você.

Vanessa Patelli dos Reis.

Um comentário:

  1. Uau! Sabe que li algumas vezes antes de postar um comentário...
    Muito profundo o que você descreveu, sua experiência, seus anseios, receios, inquietações, questionamentos e respostas!
    Obrigada pela partilha. Lendo seu texto, a gente reconhece a presença de valores muito importantes, que toda pessoa que tem a intenção de "cuidar da vida" precisa ter.
    Parabéns! Meu e das irmãs da comunidade para que li sua postagem!
    Bjs!

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